Covid19

Existe remédio para tratamento da Covid-19?

DRG Brasil
Postado em 14 de outubro de 2020 - Atualizado em 23 de fevereiro de 2021

As notícias são animadoras. A Covid-19 determinou um esforço, sem precedentes, da ciência mundial – o que tem gerado frutos em benefício da vida. Saiba mais sobre a dexametasona e o remdesivir para pacientes graves.

A pandemia do novo Coronavírus, Sars-CoV-2, continua infectando milhões de pessoas em todo o mundo. O vírus não é barrado pelas diferenças culturais, econômicas ou crenças. A angústia da doença e da morte levou ao uso de drogas ainda não testadas, expondo pacientes a riscos sem benefícios.

Em 25 de maio de 2020, escrevi que o melhor dos mundos seria a vacina, e é. Todavia, continuamos não a tendo, contrariando os mais otimistas. O segundo melhor dos mundos seria um remédio ativo contra a Covid. Todos nós tínhamos – e ainda temos – grandes esperanças de encontrar um fármaco, e até aquela data nenhum remédio tinha se mostrado realmente efetivo contra o novo Coronavírus.

Mas agora as notícias são mais animadoras. A Covid-19 determinou um esforço, sem precedentes, da ciência mundial – o que tem gerado frutos em benefício da vida.

Um exemplo significativo desse benefício é a última recomendação de tratamento, de 9 de outubro de 2020, do National Institute of Health. Ela foi construída com a participação das seguintes sociedades médicas:

  • American Association of Critical-Care Nurses
  • American Association for Respiratory Care
  • American College of Chest Physicians
  • American College of Emergency Physicians
  • American Society of Hematology
  • American Thoracic Society
  • Biomedical Advanced Research and Development Authority
  • Centers for Disease Control and Prevention
  • Department of Defense
  • Department of Veterans Affairs
  • Food and Drug Administration
  • Infectious Diseases Society of America
  • National Institutes of Health
  • Pediatric Infectious Diseases Society
  • Society of Critical Care Medicine
  • Society of Infectious Diseases Pharmacists

Segundo este estudo, existem medicamentos que podem ajudar o paciente gravemente acometidos Covid-19 a ter mais chances de sobrevida e diminuir o sofrimento, como a dexametasona e o remdesivir.

O que a ciência fala sobre a dexametasona?

De acordo com o estudo RECOVERY, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, o tratamento com dexametasona aumentou a sobrevivência entre os participantes que necessitaram de oxigênio suplementar, mas não mudou a evolução naqueles que usaram ventilação mecânica invasiva.

A monoterapia de dexametasona de rotina é a preocupação teórica de que os corticosteroides podem retardar a depuração viral quando administrados sem um medicamento antiviral. Os resultados de um estudo observacional sugerem que o atraso na depuração viral pode ser uma preocupação em pacientes com Covid-19 não graves, que estão recebendo corticosteroides sem medicamentos antivirais.

Há recomendação para uso de dexametasona sozinha se o remdesivir não puder ser administrado.

O que é o remdesivir?

Remdesivir é um agente antiviral experimental. Não é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, mas está disponível pela Autorização de Uso de Emergência para o tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19 grave. Essa droga não se aplica a pacientes ambulatoriais.

A ciência traz justificativa para o uso de remdesivir. Na análise final do ACTT-1, o remdesivir foi associado a um menor tempo de recuperação (razão da taxa de recuperação 1,45; IC 95%, 1,18-1,79) em um subgrupo de 435 participantes. Em uma análise post hoc de mortes no dia 29, remdesivir pareceu conferir um benefício de sobrevivência substancial (HR para morte de 0,30; IC de 95%, 0,14-0,64).

É importante destacar que existem certas drogas que, apesar das pesquisas, não se mostraram ainda de fato eficazes. São elas:

  • cloroquina ou hidroxicloroquina com ou sem azitromicina
  • ivermectina
  • lopinavir/ritonavir outros antivirais usados no HIV
  • plasma convalescente de paciente infectado por Covid-19
  • células mesenquimais
  • imunoglobulinas
  • interferons
  • inbidor da Kinase
  • inibidor da interleucina 1
  • inibidor da interleucina 6

Para aprofundar seus conhecimentos consulte:

Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Treatment Guidelines

COVID-19 Treatment Guidelines Panel. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Treatment Guidelines. National Institutes of Health. Available at https://www.covid19treatmentguidelines.nih.gov/. Accessed [13/10/2020].


Renato Couto é médico, graduado pela Faculdade de Medicina da UFMG. É especialista em Clínica Médica e em Controle de Infecção Hospitalar pelo Hospital das Clínicas da UFMG, e em Medicina Intensiva pela AMIB. É Doutor em Ciências da Saúde, Infectologia e Medicina Tropical pela Faculdade de Medicina da UFMG. Na área acadêmica, foi Professor Adjunto do Departamento de Clínica Médica da FM-UFMG e é professor e coordenador de cursos de pós-graduação na FELUMA/Faculdade de Ciências Médicas de MG.

Dr. Renato é presidente do Grupo IAG Saúde e fundador da plataforma de Valor em Saúde DRG Brasil, e possui diversos livros, artigos, capítulos e trabalhos científicos publicados sobre controle de infecção, qualidade e segurança do paciente.

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