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Gestão de custos: como estruturar centros de custos nos hospitais?

DRG Brasil
Postado em 20 de abril de 2022

No âmbito hospitalar, o que é um plano de contas de resultados? É possível diferenciar honorários médicos fixos e variáveis? Como estruturar os centros de custos, aplicando a técnica de rateio?

Saiba as respostas para estes questionamentos, no trecho a seguir do capítulo escrito por Marcelo Carnielo, Diretor Técnico da Planisa, para o livro DRG Brasil – Transformando o sistema de saúde brasileiro e a vida das pessoas.

Começando pela estruturação do Plano de Contas Hospitalar

A estruturação de um projeto de custos nasce com as chamadas contas de resultados, que se destinam ao registro das despesas, dos custos e das receitas. As contas de resultados possibilitam a apuração e o detalhamento do custo do produto, além do resultado econômico da gestão do patrimônio – que poderá ser lucro ou prejuízo.

Como os projetos de custos hospitalares caminham numa trilha mais gerencial, isso viabiliza o agrupamento ou detalhamento de contas para atender as necessidades operacionais e de gestão da organização. Por exemplo, em hospital oncológico possivelmente será necessário criar uma conta de medicamentos antineoplásicas, ao invés de uma conta única de medicamentos. Em situações normais, as contas são agrupadas ou mais detalhadas, conforme relevância financeira ou necessidade gerencial do hospital.

A seguir, veja um exemplo de plano de contas hospitalar:

1. PESSOAL

1.1 PESSOAL NÃO MÉDICO

  • Salários e Ordenados Não Médicos - CLT
  • Encargos Sociais Não Médicos
  • Benefícios Não Médicos
  • Hora Extra Não Médico
  • Estagiários e Bolsistas
  • R.P.A Não Médicos
  • Encargos Sociais R.P.A Não Médicos
  • Serviços de Terceiros Não Médicos - PJ

1.2 PESSOAL MÉDICO

  • Salários e Ordenados Médicos - CLT
  • Encargos Sociais Médicos
  • Benefícios Médicos
  • Hora Extra Médicos
  • Residência Médica
  • Honorários Médicos Fixos
  • Honorários Médicos Variáveis
  • R.P.A Médicos
  • Encargos Sociais R.P.A Médicos

2.  MATERIAIS E MEDICAMENTOS

2.1. MATERIAIS E MEDICAMENTOS DE USO NO PACIENTE

  • Material Uso Laboratorial
  • Material Médicos Hospitalares e Odontológicos
  • Material O.P.M.E. (Órteses, Próteses e Mat. Especiais)
  • Material Dietas Enterais
  • Medicamentos Outros
  • Medicamentos Gases Medicinais
  • Medicamentos Antineoplásicos
  • Medicamentos Nutrição Parenteral
  • Material de Imagem

2.2. MATERIAIS DE CONSUMO GERAL

  • Materiais Combustíveis e Lubrificantes
  • Materiais Gases Industriais
  • Materiais Gêneros Alimentícios
  • Materiais Consumo - Outros
  • Materiais Copa e Cozinha
  • Materiais E.P.I.
  • Materiais Escritório, Impressos e de Informática
  • Materiais Higiene e Limpeza
  • Materiais de Manutenção e Peças
  • Materiais Uniformes e Enxovais

3. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

  • Serviços de Lavanderia
  • Serviços de Nutrição
  • Serviços de Limpeza
  • Serviços de Vigilância
  • Serviços de Informática
  • Serviços de Manutenção Outros
  • Serviços de Manutenção de Equipamentos Eletromédicos
  • Serviços Diversos - PJ – Variável Outros
  • Serviços Diversos - PJ – Fixo Outros
  • Serviço Médico e Assistencial - PJ - Fixos
  • Serviço Médico e Assistencial - PJ - Variáveis

4. GERAIS

  • Água e Esgoto (direto)
  • Água e Esgoto (indireto)
  • Arrendamento Mercantil
  • Cartórios e Custas judiciais
  • Depreciação com Móveis e Equipamentos
  • Depreciação Predial (indireto)
  • Viagens, Locomoções e Refeições
  • Doações
  • Energia Elétrica (direto)
  • Energia Elétrica (indireto)
  • Fretes e Carretos
  • Impostos, Taxas, Contribuições e Desp. Legais
  • Impostos, Taxas, Contribuições e Desp. Legais (indireto)
  • Locação de Equipamentos
  • Locação de Imóveis
  • Marketing, Propaganda, Publicidade e Anúncios
  • Outros Custos Gerais (direto)
  • Outros Custos Gerais (indireto)
  • Rateio da CSC - Central de Serv. Compartilhados
  • Seguro Predial (indireto)
  • Seguros
  • Telefone (indireto)
  • Telefonia Fixa
  • Telefonia Móvel Celular
  • Treinamento

5. OUTROS CUSTOS

  • Ajustes e Perdas de Materiais
  • Despesas Financeiras
  • Multas e Indenizações

6. DESPESAS/ RECEITAS FINANCEIRAS

  • Despesas Financeiras
  • Receitas Financeiras

7. PLANO DE CONTA DE RECEITAS

(+) Receita SUS

  • Ambulatorial SUS
  • Hospitalares SUS
  • Profissional SUS

(+) Receita Convênio e Particular

  • Diárias e Taxas
  • Medicamentos
  • Materiais Especiais (OPME)
  • Materiais Médicos
  • Gases Medicinais
  • SADT
  • Honorários Médicos
  • Pacotes
  • Serviços Extras

(+) Outras Receitas

  • Subvenções Federais
  • Subvenções Estaduais
  • Subvenções Municipais
  • Incentivos
  • Receitas de Verbas Orçamentárias
  • Doações
  • Outras Receitas

Honorários médicos fixos e variáveis: particularidades nas contas de custos hospitalares

As contas relacionadas aos honorários médicos devem corresponder exclusivamente a custos com pagamento de mão-de-obra de colaboradores do ramo, que recebem por meio de prestação de serviços. Não se sugere considerar os colaboradores médicos CLT e/ou RPA, pois estas modalidades possuem contas específicas e com encargos próprios. 

Os honorários médicos são divididos de duas formas: fixos e variáveis. Na conta de honorários médicos fixos, devem-se alocar os valores dos contratos dos médicos que recebem valores fixos e que não são contratados em regime CLT. Já na conta de honorários médicos variáveis, deve-se alocar os valores dos médicos que recebem por produção.

Essa divisão é importante para a consolidação do custo unitário dos itens de produção, associado ao modelo de remuneração. Por exemplo, em unidade de Pronto Socorro, normalmente há médico plantonista e especialista; o primeiro tem honorários fixos, enquanto o especialista normalmente possui honorários variáveis. Na composição do resultado do atendimento médico do Pronto Socorro de um determinado atendimento, deve-se observar esta regra de faturamento.

Por fim, deve-se considerar na conta “honorários médicos” apenas valores que representam atividades exclusivas do profissional médico (mão-de-obra), portanto, sem inclusão de medicamentos, equipamentos ou qualquer outro, no valor da prestação de serviços. Quando houver inclusão de medicamentos ou qualquer outro custo no serviço, sugere-se o lançamento na conta serviços médicos PJ fixo ou variável.

Centros de custos e rateios em instituições hospitalares

centros de custos hospitalares

Uma das formas mais utilizadas em uma empresa hospitalar é a classificação dos centros de custos produtivos e centros de custos auxiliares e administrativos.

Centros de custos produtivos

Correspondem aos centros de custos que prestam serviços finais ao paciente e geram receita. Por exemplo: Unidade de Internação, Raios X, Laboratório etc.

Centros de custos auxiliares e administrativos

Os centros de custos auxiliares correspondem aos setores que prestam serviços de apoio ao paciente, Por exemplo: CME (Central de Material Esterilizado, SND (Serviço de Nutrição e Dietética), Lavanderia. Já os setores administrativos estão relacionados às atividades puramente administrativas, contabilidade, faturamento, entre outras.

Critérios e métodos de rateio

O chamado rateio é parte integrante da consolidação dos custos dos serviços a partir da apropriação de custos indiretos e dos rateios interdepartamentais. Ou seja, é a apropriação dos custos dos centros auxiliares e administrativos para os centros produtivos.

O rateio dos custos indiretos

Abaixo estão relacionadas algumas sugestões para rateio dos custos indiretos:

Item de CustosFórmula de Rateio
AluguelÁrea ocupada (m²)
Manutenção e
conservação
Área ocupada (m²)
Depreciação Área ocupada (m²)
SegurosÁrea ocupada (m²)
Energia ElétricaConsumo de energia (%)
ÁguaConsumo de água (%)
TelefoneValor do tarifador
Impostos e taxasNúmero de funcionários ou Área (m²)
Outros custos e despesasNúmero de funcionários
Fonte: Planisa, elaboração própria.

O rateio dos setores auxiliares e administrativos

Nesta etapa, fazemos a transferência dos custos mensurados nos centros de apoio e administrativos para os setores produtivos, com o objetivo de apurar o custo final dos serviços: custo por paciente/dia, custo por exame, custo por hora do centro cirúrgico etc. A razão desta distribuição se deve principalmente ao fato de que os serviços de auxiliares e administrativos não geram receita e são, via de regra, serviços apoiadores em um processo de produção hospitalar.

Uma das formas de se definir o critério de rateio é considerar a “Regra do 1”.  Na Regra do 1, pergunta-se: por que este setor tem mais de um funcionário? Ao responder esta pergunta, automaticamente se responde qual seria o melhor critério de distribuição para este setor. Segue um exemplo: Por que o serviço de engenharia clínica tem mais de um funcionário? Uma provável resposta é que o hospital tem uma quantidade de equipamentos eletromédicos suficientemente alta, o que exige mais de um funcionário para conseguir realizar todas as atividades pertinentes à manutenção deles. Portanto, o critério de rateio é este: número de equipamentos eletromédicos por setor.

Uma outra sugestão, normalmente ignorada nos projetos de custos, é: avalie o comportamento dos custos dos setores ou contas indiretas antes de definir o critério de rateio. Estrutura de custos fixos dos setores ou contas sugere-se critérios de rateios também fixos, enquanto componentes variáveis dos setores ou contas, sugere-se critérios variáveis.

Unidades de produção

Os dados relacionados à estatística de produção são necessários para a apuração do custo unitário dos serviços produzidos pelos centros de custos produtivos do hospital.

Para cada um dos centros de custos produtivos deverá ser identificada uma unidade produzida. Em geral as unidades são definidas da seguinte forma:

Unidades de medida para rateio para setores produtivos

Setor ProdutivoUnidade de Medida para Rateio
Unidade de internaçãoDiária
Unidade de terapia intensivaDiária de UTI
Centro cirúrgicoHora de utilização
AmbulatórioConsulta
Pronto socorroAtendimento
Serviços de diagnósticoExames
Fonte: Planisa, elaboração própria

Antes de tudo isso, é necessário entender conceitos fundamentais da gestão de custos hospitalares, como custos diretos e indiretos, custos fixos, variáveis, semifixos e semivariáveis. Acesse o artigo “Sistema de gestão de custos hospitalares – entenda os conceitos básicos! e leia o conteúdo escrito por Marcelo Carnielo, Diretor Técnico da Planisa.

A Planisa, empresa de consultoria de custos e melhoria da produtividade hospitalar com atuação em todo o país, é membro da comunidade de consultorias parceiras da plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil.


Créditos/Referências:

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