Ecossistema

Custo hospitalar da Covid-19 para cada 1,37 mi de infectados é de cerca de R$ 3,1 bi

DRG Brasil
Postado em 6 de julho de 2020 - Atualizado em 11 de janeiro de 2021

O Brasil já alcançou mais de 58 mil mortes causadas pela Covid-19 e mais de 1,37 milhões de casos confirmados da doença. A pandemia encontra-se ainda em sua fase ascendente, demandando mais recursos para tratamento que pode se prolongar até a chegada da vacina em futuro incerto. Há ainda a incerteza dos custos assistenciais hospitalares da nova doença, que aumenta as dificuldades de negociação entre comprador de serviços e hospitais na busca de um preço justo do serviço. Diante do cenário, estudos calcularam que o custo assistencial hospitalar direto da Covid-19 para cada um 1,37 milhão de infectados é de cerca de R$ 3,1 bilhões.

A Planisa, empresa de soluções em gestão de saúde, realizou estudo com doze hospitais brasileiros (entre públicos, privados e filantrópicos) que disponibilizaram unidades para atendimento à pacientes da Covid-19, no período de abril a maio. A metodologia de custeio foi padronizada, a qual se considerou que todos os custos de produção fossem alocados ao custo da diária, incluindo custos diretos e indiretos, ou seja, todos os custos necessários para operação de um leito hospitalar, como custos com equipes médica e enfermagem, materiais, medicamentos, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), serviços de apoio e administrativo, entre outros.

O diretor técnico da Planisa e especialista em gestão de custos hospitalares, Marcelo Carnielo, explica que algumas questões são importantes compreender, que justificam as variações de custos das diárias hospitalares, que são complexidade, ocupação e pessoal. Em hospitais que atendem pacientes mais complexos, o custo unitário da diária é maior do que em hospitais que atendem casos mais simples. Neste caso, o consumo de medicamentos e materiais hospitalares são os principais responsáveis no aumento destes custos. Já em hospitais com grande volume assistencial que atendem próximo de sua capacidade instalada, o custo unitário é menor do que em hospitais que têm baixo volume de produção. “O custo fixo alto, normalmente presente nos hospitais, torna indispensável a utilização da capacidade instalada. Essa variável é a principal justificativa de custos unitários de diárias elevados nos hospitais; ao contrário do que imaginamos, temos muitos hospitais ociosos, principalmente os hospitais de pequeno porte, que representam a maioria dos hospitais brasileiros”, fala Carnielo.

No estudo da Planisa, o custo médio de diária em unidade de internação não crítica com paciente Covid-19 foi R$ 1.400, com taxa de ocupação média de 50%; enquanto em unidades de internação crítica adulto (UTI), o custo médio foi R$ 2.452, com taxa de ocupação média de 67%.

Outro levantamento, realizado pelo DRG Brasil, com hospitais que atendem a 22% das vidas da saúde suplementar brasileira, envolvendo 3.988 internações de pacientes Covid-19, mostra que estes pacientes apresentam o dobro da complexidade e criticidade clínica medida pelo DRG Brasil e permanência em UTI e hospitalar 30,5% maior que a média nacional das outras doenças clínicas. O consumo de recursos por dia de internação aumenta com a complexidade e criticidade clínica. Os pacientes Covid-19 que usam UTI têm uma permanência hospitalar média de 14,8 dias, sendo oito dias na unidade de terapia intensiva e 6,8 dias em unidade de internação não crítica. Dos pacientes que se internaram, 33,1% usaram UTI. Os pacientes que não usam UTI (66,9% dos casos) ficam 6,5 dias em instalações não críticas. Estes dados estão em consonância com a experiência de Wuhan, na China e Kaiser Permanente, na Califórnia.

Carnielo pontua que se o espectro clínico da doença no Brasil for semelhante ao de Wuhan, 14% dos infectados precisaram de hospital e 5% dos infectados precisaram de UTI. “Se aplicarmos os estudos de Wuhan, da Planisa e do DRG Brasil para cada 1,37 milhão de infectados, teremos 191,8 mil internações. Destes, 123,3 mil usarão apenas leitos não críticos, consumindo 801.735 leitos/dia (R$ 1,12 bilhão); 68,5 mil pacientes usarão UTI e consumirão cerca 548 mil leitos/dia de UTI (R$ 1,34 bilhão), além de 465 mil leitos/dia (R$ 652 milhões) em acomodações para reabilitação e na fase inicial da doença exclusivamente para estes pacientes de UTI”, explica Carnielo.

“O custo assistencial hospitalar direto da Covid-19 para cada 1,34 milhão de infectados é de cerca de R$ 3,1 bilhões. O custo econômico é mensurável, mas o sofrimento das vidas perdidas é incomensurável”, salienta o diretor técnico da Planisa.

Fonte: Portal Hospitais Brasil


A Planisa é empresa de consultoria parceira do Ecossistema DRG Brasil

Posts Relacionados

Dra. Tania Grillo é presença confirmada no 8º Encontro de Avaliadores ONA

Ecossistema
21 de janeiro de 2022
leia agora

Presidentes do Grupo IAG Saúde assinam capítulo do Manual do Gestor Hospitalar

Ecossistema
17 de janeiro de 2022
leia agora

Oportunidades de ganhos assistenciais chegam a R$ 38,9 bilhões no setor de saúde

Ecossistema
3 de janeiro de 2022
leia agora

(31) 3241-6520 | grupoiagsaude@grupoiagsaude.com.br

Creative Commons

Direitos autorais: CC BY-NC-SA
Permite o compartilhamento e a criação de obras derivadas. Proíbe a edição e o uso comercial. É obrigatória a citação do autor da obra original.

Os Termos de Uso e a Política de Privacidade deste site foram atualizados em 05 de abril de 2021. Acesse:
© ‎Grupo IAG Saúde® e DRG Brasil ® - Todos os direitos são reservados.
Logo Ingage Digital