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Sustentabilidade do Setor Saúde no Brasil: redução de desperdício pela entrega de valor

DRG Brasil
Postado em 3 de novembro de 2020 - Atualizado em 10 de março de 2021

Em artigo para a revista Visão Hospitalar, publicada pela FBH, as empresas Valor em Saúde Brasil, Planisa e Deloitte falam sobre como ser sustentável com os recursos existentes na saúde; Confira na íntegra

Vivemos tempos difíceis, com crises na saúde e na economia jamais experimentadas por qualquer brasileiro. As dúvidas que atormentam a sociedade – e inevitavelmente todo gestor de saúde – são: de onde virão os recursos para a sustentabilidade do setor? Onde encontrar a solução em um mundo que está mais pobre e mais doente?

Felizmente, frente a tal cenário negativo, temos boas notícias: a primeira delas é o reconhecimento, pela sociedade, do patrimônio que é o sistema de saúde brasileiro público e suplementar. A segunda boa notícia é que, na falta de recursos novos, podemos ser sustentáveis com os recursos existentes, se entregarmos valor em saúde com controle de desperdício e provermos os melhores resultados assistenciais com a máxima eficiência.

Um exemplo formidável de desperdício – e onde há desperdícios, há grandes oportunidades – são as falhas de entrega de valor em saúde, que consomem 2,5% do PIB dos Estados Unidos. Para se ter ideia, se apenas metade do desperdício do sistema de saúde americano fosse eliminado, o impacto seria uma economia de 1 trilhão de dólares. Na Austrália, uma investigação mostrou que um terço do gasto total com saúde pode ser considerado desperdício. Diante disso, é de se perguntar: onde são os desperdícios e quais são suas causas?

“Na falta de recursos novos, podemos ser sustentáveis com os recursos existentes, se entregarmos valor em saúde com controle de desperdício e provermos os melhores resultados assistenciais com a máxima eficiência.”

Um dos fatores por trás dos desperdícios apontados está nas internações hospitalares clínicas, muitas delas sabidamente evitáveis. Uma assistência adequada na atenção primária e um sistema de emergência resolutivo podem reduzir as chamadas internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP). As visitas ao Pronto Socorro consideradas inadequadas e evitáveis são responsáveis por quase 12% do total nos EUA e Inglaterra, 20% na Itália e França, 25% no Canadá, cerca de 30% em Portugal e Austrália, e 56% na Bélgica.

Outro foco de desperdício a ser analisado são as hospitalizações cirúrgicas que podem, da mesma forma, ser evitadas. Um serviço de cirurgia ambulatorial resolutivo, integrado à uma transição de cuidados para o domicílio, e incentivos econômicos para médicos e hospitais têm demonstrado elevada efetividade.

Além disso, não podemos deixar de mencionar que, no mundo inteiro, há ineficiência no uso do leito. O aumento da permanência hospitalar além da esperada pela complexidade clínica é determinado por: falhas no complexo processo assistencial hospitalar (exemplo: atraso de exames); burocracia fútil nas relações do hospital com a fonte pagadora (exemplo: demora para autorizações); falhas nas relações com o paciente e família (exemplo: demora na tomada de decisão); ausência de recursos extra-hospitalares para continuidade de cuidados; problemas jurídicos e questões sociais. Só em função de atrasos na alta, hospitais dinamarqueses relataram cerca de 10 leitos adicionais por 1.000 habitantes.

Existe, ainda, o revés da insegurança assistencial hospitalar – que determina uma pandemia de mortes, sequelas e aumento de custos. É a terceira causa de morte nos EUA. No Brasil, conseguimos medir o tamanho do desperdício, e as conclusões não foram animadoras.

Estudamos, com aprovação no COEP da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os desperdícios no banco de dados de 129 operadoras da saúde suplementar e do SUS, no período de agosto de 2018 a julho de 2019. As organizações analisadas cobrem 10.586 milhões de vidas, em todas as regiões do País, e utilizam a plataforma de valor em saúde DRG Brasil para fins gerenciais. Com uso da inteligência artificial e do agrupador DRG Brasil, os resultados foram mensurados pelo Índice de Valor do Sistema de Saúde Brasileiro (IVSB) que calcula a eficiência e os resultados assistenciais, comparados a um nível de desempenho considerado ideal.

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Imagem: Freepik

O IVSB mostrou desperdício na ordem de 37,7% de todas as diárias hospitalares consumidas para tratar os pacientes da população estudada. As internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP) foram responsáveis por 9,07% das diárias hospitalares consumidas; as readmissões hospitalares não planejadas em 30 dias corresponderam a 5,33%; as internações de pacientes com condições adquiridas hospitalares graves, infecciosas e não infecciosas, a 5,32%; as internações de cirurgias ambulatoriais, a 1,19%. A ineficiência no uso do leito foi responsável por 16,79% das diárias hospitalares utilizadas. No total, o desperdício potencialmente modificável pela entrega de valor foi de 678.997 diárias preveníeis.

Em 2019, a Planisa apurou o custo mediano de R$ 715,60 referente a uma diária de internação em unidade não crítica em 80 hospitais brasileiros. Se aplicarmos os dados ao IVSB, concluímos que foram consumidos, somente em diárias evitáveis, aproximadamente R$ 1,28 bilhão. O valor entregue às populações pelos sistemas de saúde estudados, mensurado pelo IVSB, foi de 67,6% daquele considerado ideal neste levantamento, mostrando, dessa forma, significativas oportunidades de melhoria.

Percebe-se que a figura do hospital é um “sintoma” das falhas do sistema de saúde como um todo. As falhas do operador, dos médicos, do paciente e do judiciário se manifestam em aumento de internações e reinternações preveníveis e dilatação da permanência além da necessária ao tratamento. Em 2017, 19.432.818 brasileiros foram internados. Se aplicarmos o mesmo nível de desperdício do estudo IVSB a todo o Brasil, com os recursos desperdiçados pelas falhas de entrega de valor, mais 7.326.172 brasileiros poderiam ter sido tratados sem novos recursos.

Portanto, o controle do desperdício pela entrega de valor em saúde (resultados assistenciais de qualidade, eficiência e experiência positiva do paciente) gera recursos a serem compartilhados por todas as partes da cadeia produtiva de saúde, garantindo sustentabilidade e maior acesso da população ao sistema.


Autores:

Renato Couto - Presidente do Grupo IAG Saúde e fundador da plataforma Valor em Saúde Brasil

Marcelo Carnielo - Diretor Técnico da Planisa

Luís Fernando Joaquim - Sócio de Life Sciences & Health Care da Deloitte


Confira o artigo original, publicado na Revista Visão Hospitalar, Ano 9, 33ª Edição, páginas 64 e 65:

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