Modelo Assistencial

Coronavírus em BH: como a capital mineira vem transformando o SUS com a saúde baseada em valor?

DRG Brasil
Postado em 27 de janeiro de 2021

A taxa de contaminação pelo coronavírus em BH ainda preocupa a comunidade sanitária. Pouco antes das festas de fim de ano, os leitos em hospitais particulares já tinham pouco mais de 80% de ocupação.

Além da limitação de recursos, isso tem impactado a linha de frente, como médicos e enfermeiros, que lidam diariamente com a pressão e o cansaço. Na rede pública, a preocupação também existe, porém, em um nível relativamente menor.

No cenário brasileiro, 7 em cada 10 pessoas dependem do SUS, segundo informação do IBGE.  E mesmo com essa grande demanda, os hospitais públicos da capital mineira têm conseguido disponibilizar leitos para o tratamento dos pacientes com COVID-19.

Uma das explicações para isso é o fato de parte dos hospitais da Rede Municipal de Saúde investirem nos preceitos de valor em saúde, conceito que relaciona custos e resultados, para entregar mais qualidade e segurança. Acompanhe o texto e entenda essa transformação na saúde dos belo-horizontinos!

Qual o cenário atual do coronavírus em BH?

Na rede privada de Belo Horizonte, em dezembro de 2020, o aumento na ocupação de leitos ligou o alerta vermelho e começou a preocupar os profissionais da Saúde. Atualmente, semanas após as festas de fim de ano, a apreensão é que esse número cresça consideravelmente. 

Já conhecemos a conjuntura do vírus desde o início da pandemia: hospitais, médicos e enfermeiros no combate, para inibir sua evolução e suas consequências negativas. Como resultado dessa luta, já são mais de 450 mil pessoas recuperadas da COVID-19 só no estado mineiro.

O SUS também lida com um cenário crítico. No entanto, devido ao fato de a rede contar com estratégias para melhorar a utilização dos serviços, ela tem conseguido gerir bem seus recursos. Como exemplo disso, temos o fato de os leitos destinados aos casos de coronavírus em BH ainda não terem uma ocupação tão grande quanto a dos de hospitais privados.

Como o SUS tem utilizado o valor em saúde durante a pandemia do coronavírus em BH?

O conceito de valor em saúde foi definido por Porter e Teisberg, no livro Repensando a Saúde, e retrata a relação entre os resultados obtidos pelo paciente e os custos para atingi-lo. O objetivo é deixar o paciente no centro da estratégia, proporcionando a ele mais qualidade ao longo da prestação dos serviços. 

A concepção do valor em saúde vai na contramão da visão tradicional existente no setor — que busca remunerar profissionais, considerando a quantidade de procedimentos realizados, estimulando, com isso, a solicitação de mais exames e procedimentos. A consequência é, além do aumento de gastos, a exposição do paciente a uma rotina desnecessária, colocando-o, inclusive, em risco.

A rede SUS de Belo Horizonte é pioneira, há anos, em ações de otimização no acesso à saúde e, atualmente, conta com diversas premissas com esse foco. Para priorizar a qualidade do serviço, em vez da quantidade, uma das principais ideias adotadas é melhorar as unidades de atendimento já existentes, antes de iniciar o processo de abertura de novas.

Desburocratizar é outra premissa importante. Os serviços precisam ter eficácia e segurança, as ineficiências têm de ser reduzidas, e as receitas, otimizadas.

O investimento em tecnologias é outra grande aposta para praticar o conceito de valor em saúde. Isso, inclusive, tem facilitado a implementação de estratégias para aumentar o acesso da população aos serviços de saúde e, com isso, melhorar os atendimentos na pandemia do coronavírus em BH.

Uma das estratégias utilizadas, então, se refere à gestão de leitos hospitalares. Essa ação é primordial, visto que administrar corretamente a taxa de ocupação contribui para a boa sustentabilidade econômica e a redução do desperdício.

Outra aposta do SUS para praticar o valor em saúde é, no uso da tecnologia, coletar dados sobre serviços e recursos e transformá-los em informações relevantes — o que oferece uma visão ampla da realidade e uma base para tomar decisões mais estratégicas.

Como é aplicado o conceito de valor em saúde na prática?

médico analisando as informações para cuidar de paciente com coronavírus em BH

Na prática, é preciso aplicar mudanças assistenciais e empresariais em processos e em pessoas, incluindo atendentes da recepção a médicos, enfermeiros e gestores. O foco da transformação é prover ações voltadas ao paciente, que, nessa relação, é a parte mais sensível.

Para isso, é fundamental aplicar os alvos assistenciais:

  • uso eficiente do leito hospitalar — a partir de uma gestão na distribuição desses leitos;
  • aumento da segurança assistencial — danos ao paciente podem aumentar o consumo de recursos. É preciso ter ações bem planejadas;
  • redução de internações evitáveis — hoje, o baixo acesso à atenção primária e o sistema remuneratório contribuem, de forma negativa, para esse aspecto;
  • diminuição de readmissões preventivas — observa-se a ausência de uma assistência hospitalar qualificada, além de complicações que se manifestam no domicílio.

Organizar a instituição em etapas de cuidado, mensurar resultados e custos, além de modificar o método de remuneração dos profissionais de saúde são formas de colocar esse conceito em prática.

Na gestão de custos hospitalares, pode-se prevenir procedimentos complexos realizados de forma desnecessária, prezando pela diminuição de desperdícios e pelo aumento da eficiência da assistência em geral.

Para uma assistência baseada em qualidade, precisamos ter visão de longo prazo. O foco não é unicamente a cura, mas também o bem-estar e o aumento dos serviços de promoção e prevenção da saúde, para termos como consequência a redução dos diagnósticos graves e, ainda, a antecipação de problemas e o desenvolvimento de soluções, para agirmos a tempo.

O conceito de valor em saúde também demanda, na prática, uma análise substancial de dados estruturados. Isso exige uma tecnologia capaz de transformá-los em informações exatas e reais, gerando indicadores confiáveis e oferecendo o alicerce para uma governança clínica, de decisões estratégicas e mais entregas de valor.

Isso nos leva à aplicação de determinadas condutas, a exemplo de: 

  • efetividade clínica — que exige decisões sobre tratamentos baseados em evidências de qualidade;
  • gerenciamento de riscos — que adota ações para diminuir falhas na assistência;
  • auditoria clínica — que analisa a performance na qualidade dos serviços prestados;
  • melhoria contínua — que preza pelo aperfeiçoamento da equipe de trabalho e, também, pela melhoria na relação com as operadoras de saúde.

Em suma, o estado de Minas Geais ainda enfrenta os desafios com o coronavírus em BH. O aumento na ocupação de leitos da rede privada e a taxa crescente de contaminados nos levam a perceber a urgência em adotar métodos de melhoria na gestão de recursos e nos atendimentos. O SUS tem muito a ensinar com suas práticas de saúde baseada em valor.

Portanto, o que você acha de começar agora mesmo e entender um pouco mais sobre governança clínica e sua relação com o valor em saúde? Acesse o link para ler o conteúdo!


Créditos/Imagens

Posts Relacionados

Regulação e auditoria em saúde: a importância para a entrega de valor na assistência

Modelo Assistencial
20 de maio de 2022
leia agora

Imprensa mineira destaca Parceria QualificaSUS para atendimento ao Valora Minas

Modelo Assistencial
19 de maio de 2022
leia agora

Figital: saiba como o modelo se aplica à área da saúde

Modelo Assistencial
19 de maio de 2022
leia agora

(31) 3241-6520 | grupoiagsaude@grupoiagsaude.com.br

Creative Commons

Direitos autorais: CC BY-NC-SA
Permite o compartilhamento e a criação de obras derivadas. Proíbe a edição e o uso comercial. É obrigatória a citação do autor da obra original.

Os Termos de Uso e a Política de Privacidade deste site foram atualizados em 05 de abril de 2021. Acesse:
© ‎Grupo IAG Saúde® e DRG Brasil ® - Todos os direitos são reservados.
Logo Ingage Digital