Modelo Assistencial

Foco na eficiência da gestão hospitalar: acerte 4 alvos assistenciais para aumentar a qualidade e eliminar o desperdício

DRG Brasil
Postado em 6 de maio de 2020 - Atualizado em 14 de fevereiro de 2022

Quando pensamos em gestão hospitalar, é necessário nos perguntar: de onde virão os recursos para garantir a qualidade e a sustentabilidade do sistema de saúde? O questionamento é relevante e precisa passar por critérios consolidados, conforme os do Institute of Medicine.

Em seu relatório Errar é Humano, que embasa a reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos, a qualidade está definida como "o grau em que os serviços de saúde aumentam a probabilidade de resultados desejados e são consistentes com o conhecimento técnico atual". 

No Brasil, todos os males da qualidade do sistema de saúde são atribuídos à falta de recursos. No mundo, as disfunções referentes a esses critérios levam a custos elevados. Como consequência, há escassez de recursos e isso gera um círculo vicioso, que acarreta desperdícios e prejudica ainda mais o resultado.

No entanto, é possível aumentar a qualidade a partir de uma gestão hospitalar eficiente, que foque nos quatro alvos assistenciais. Quais são eles? Neste conteúdo, vamos apresentar e explicar todos, além de trazer um contexto sobre o assunto. Confira!

Quais são os alvos para qualidade assistencial?

Os usuários do sistema de saúde brasileiro têm experimentado a disfunção da qualidade assistencial com sofrimento, sequelas e mortes. Essas consequências propagam o desalento entre os profissionais e os gestores da saúde. Afinal, é um sistema no qual todos saem perdendo.

Essas falhas na entrega de valor são vistas por especialistas como oportunidades de melhoria assistencial. O objetivo é gerar a sustentabilidade do sistema de saúde.

Sendo assim, a comunidade acadêmica DRG Brasil realiza um estudo das oportunidades assistenciais e econômicas. O levantamento conta com pesquisadores das seguintes instituições, entre outras:

  • Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
  • Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP);
  • Universidade de São Paulo (USP);
  • Universidade de Campinas (UNICAMP);
  • Insper Instituto de Ensino e Pesquisa.

A base de dados para a pesquisa conta com mais de 2,5 milhões de altas hospitalares de internações em mais de 400 hospitais do SUS e da saúde suplementar. Com isso, há abrangência de sistemas de saúde que cobrem mais 14 milhões de brasileiros em todas as regiões do Brasil.

Foram identificadas 4 oportunidades de melhoria assistencial no sistema de saúde brasileiro. Todas constituem fontes de grande desperdício econômico. Esse é um tema delicado, já que as condições adquiridas hospitalares geraram perdas de R$ 15,57 bilhões na saúde suplementar em 2016.

Em relação a essas oportunidades de melhoria, elas são alvos de intervenção no sistema de saúde brasileiro. Na vida da população, garantirão melhores níveis de atendimento:

  • alvo assistencial 1: uso eficiente do leito hospitalar;
  • alvo assistencial 2: aumento da segurança assistencial;
  • alvo assistencial 3: redução de internações evitáveis;
  • alvo assistencial 4: diminuição de readmissões preveníveis. 

Quais são as diretrizes para a transformação da gestão hospitalar baseada no DRG?

O DRG é a metodologia essencial para transformar com rapidez o modelo assistencial e remuneratório hospitalar. Com isso, há contribuição para a garantia da qualidade assistencial e da sustentabilidade.

Para criar as condições de transformação, é necessário realizar um acordo entre as partes interessadas do sistema de saúde. As pessoas e a garantia dos melhores resultados de saúde com os recursos existentes devem estar no centro das ações tomadas.

As disfunções de qualidade com os recursos existentes são resolvidas pelo controle do desperdício dos maus resultados assistenciais. Assim, são disponibilizados mais recursos para realimentar um novo círculo virtuoso de investimento em estrutura e processos.

A consequência é o aperfeiçoamento contínuo da qualidade, com geração de sustentabilidade ao sistema de saúde brasileiro. Em outras palavras, a disfunção da qualidade do sistema de saúde é a doença e o DRG é parte do tratamento.

Os resultados assistenciais desejados surgirão pelo alinhamento de estrutura e processos adequados às necessidades de saúde das pessoas.

A construção de um sistema de saúde qualificado

Os problemas na qualidade são derivados de falhas de todo o sistema de saúde. Essa é uma situação em que há perdedores de todos os lados. No entanto, quem mais sofre é o cidadão. Por isso, é necessário adotar algumas boas práticas.

Concordância das partes envolvidas

A primeira ação necessária é garantir o consenso entre todos, ou seja, paciente, família e equipe de saúde. Quem está sendo atendido deve estar no centro das atenções e sua segurança é a prioridade. Assim, os resultados em saúde serão aperfeiçoados a partir da ciência, que embasará as tomadas de decisão junto com a análise de custo e efetividade.

Mecanismos de transparência

O cliente deve estar envolvido no tratamento. Aqui, estão abrangidos usuários, operadoras e compradores de planos de saúde. Em qualquer um desses casos, a escolha deve ser consciente e baseada em:

  • custos;
  • qualidade;
  • desempenhos assistenciais com foco na segurança;
  • tratamentos disponíveis baseados em evidências científicas com custo/efetividade e na satisfação dos usuários com os serviços ofertados.

Relação entre as partes

O bom relacionamento entre os envolvidos é fundamental. É importante embasá-lo em um conjunto de indicadores e requisitos de segurança e qualidade de alta relevância.

Liderança e cultura de segurança e qualidade

Os dois quesitos devem permear a cultura organizacional, para que os erros deixem de ser punidos e todos os segmentos da sociedade se envolvam no tratamento.Também é importante entender que consequências indesejáveis na qualidade do sistema de saúde nem sempre indicam erros, negligências ou baixa qualidade.

Qualificação da rede

A capacitação da rede de prestadores de serviço no Brasil é fundamental para assegurar o acesso às melhores práticas da ciência e da tecnologia. Essa prática aperfeiçoa a segurança e a qualidade assistencial do paciente. Ao mesmo tempo, é possível implementar a gestão baseada em normas certificáveis, que foca a entrega da medicina de modo eficiente.

Mudança do modelo remuneratório

O modelo remuneratório dos serviços assistenciais precisa ser alterado. Hoje, alinha questões econômicas aos interesses dos pacientes. No entanto, o ideal é abranger a qualificação da rede e os resultados, além da segurança assistencial baseada em indicadores. Isso significa que o pagamento passa a ser feito de acordo com o resultado e a qualidade alcançados.

Reforço das regulamentações

As regulamentações da legislação precisam ser reforçadas e cumpridas à risca. Ainda vale a pena aprofundá-las, considerando indicações da ciência. Com isso, os esforços dos diversos agentes do Estado são fortalecidos e e o requisito legal é aplicado do modo correto na rede de prestadores.

Intervenção no modelo de rede hospitalar

As mudanças devem visar à diminuição do número de hospitais. O objetivo é evitar o custo da ociosidade e a baixa qualidade pela falta de escala assistencial. Para isso, é necessário que a cultura organizacional da atenção hospitalar à saúde acompanhe a modificação.

Produtividade do leito hospitalar

A produtividade deve ser maior para atender às demandas. Porém, para garantir a qualidade, é preciso que as demais estruturas assistenciais sejam modificadas, inclusive com a integração de processos e informações. Isso vale tanto para o prestador quanto para as operadoras do sistema de saúde público ou privado. Essa é a forma de garantir a assistência contínua ao paciente.

Alteração da cultura e do comportamento do paciente

O paciente e sua família devem alterar sua cultura e comportamento no que diz respeito à doença, ao cuidado, à segurança assistencial e aos eventos adversos.

Capacitação dos trabalhadores

A gestão hospitalar deve garantir a capacitação das equipes no sentido da segurança e da qualidade assistencial. Aqui, vale a pena observar as melhores práticas da ciência já comprovadas em outros sistemas de saúde do mundo.

Como aliar as diretrizes aos alvos assistenciais do DRG no Brasil no âmbito da gestão hospitalar?

Alvo assistencial 1: uso eficiente do leito hospitalar

As causas dos principais problemas enfrentados pela gestão hospitalar relacionados à ineficiência do uso dos leitos são:

  • eventos assistenciais intra-hospitalares adversos;
  • ausência de continuidade no cuidado dos pacientes após a alta hospitalar e de resolutividade da atenção primária e secundária. Isso leva ao prolongamento da internação hospitalar para além do período necessário, considerando a estabilização do quadro clínico agudo. O hospital é o principal centro diagnóstico e de reabilitação do sistema de saúde. No entanto, deveria ser a rede ambulatorial para desafogar a gestão hospitalar;
  • burocracia fútil nas relações entre hospital, operador do sistema de saúde e médico, que trazem lentidão aos processos assistenciais;
  • modelo remuneratório hospitalar e do médico que não incentiva o aumento da produtividade do leito hospitalar, ou seja, o tratamento intra-hospitalar no menor tempo seguro para o paciente;
  • limitações sociais do paciente e da família, que dificultam a continuidade do cuidado após a alta hospitalar;
  • judicialização, que transforma o hospital de agudos em um centro de cuidados paliativos.

Alvo assistencial 2: aumento da segurança assistencial

O dano ao paciente desencadeia uma carga de consumo de recursos em todo o sistema de saúde. As condições adquiridas — danos e lesões causados aos pacientes durante a internação hospitalar devido a falhas na assistência — aumentam entre 13% e 16% os custos relacionados ao tratamento intra-hospitalar, segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nesse resultado, ainda precisam ser calculados os custos adicionais com:

  • reabilitação; 
  • continuidade do tratamento após a alta; 
  • afastamento de funções laborativas; 
  • indenizações por incapacidade produtiva ou morte, entre outros.

O levantamento da OCDE ainda mostra que 15% das despesas e das atividades hospitalares em seus países-membros podem ser atribuídos ao tratamento de rupturas na segurança assistencial. Esse dado é conservador, uma vez que a carga financeira em todas as categorias de eventos adversos ocorridos na gestão hospitalar varia de 1,3% a 32% dos gastos públicos com hospitais.

As causas das falhas assistenciais podem ser inúmeras, mas a base comum é a fragilidade na incorporação dos princípios de gestão dos processos. Em outras palavras, o problema é a falha de uma ação planejada ser finalizada de acordo com o pretendido (erro de execução) ou o uso de um planejamento errado para alcançar um objetivo (erro de planejamento).

Alvo assistencial 3: redução de internações evitáveis

As internações excessivas por condições sensíveis à atenção primárias são potencialmente evitáveis no Brasil. Elas consistem em um conjunto de afecções clínicas que, quando abordadas de maneira resolutiva pelo cuidado primário, podem ter sua evolução aperfeiçoada, a fim de evitar internações.

As principais causas da elevada incidência de internação por esses problemas no Brasil são:

  • atenção primária de difícil acesso e baixa resolutividade;
  • modelo remuneratório e assistencial da emergência que não incentiva a resolutividade.

Atualmente, a remuneração pela atenção emergencial para hospitais e médicos ocorre por atendimento realizado. Alguns pacientes podem exigir um tempo maior de observação na emergência (maior do que 6 horas) para garantir a alta segura para o domicílio. No atual modelo, esse atendimento não é remunerado e determina internação hospitalar para garantir a segurança ao médico, ao hospital e ao paciente.

A dificuldade de acesso dos pacientes ao sistema de saúde não se encontra entre as causas do problema na saúde suplementar. Isso porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu mecanismos que garantem o acesso em tempo adequado. Essa diretriz não é aplicável ao SUS.

A resolutividade da atenção primária, que pode ter como um dos marcadores a ocorrência de internações por esse problema, não é mensurada de maneira contínua como feedback aos responsáveis pelo processo no sistema de saúde. Desse modo, as ações de melhoria são impossíveis de serem aplicadas.

Alvo assistencial 4: diminuição de readmissões preveníveis

As reinternações potencialmente evitáveis têm como principais causas:

  • ausência de continuidade qualificada da assistência hospitalar;
  • eventos adversos da assistência hospitalar que se manifestam no domicílio.

A reinternação de pacientes com complicações da internação que se manifestam no domicílio — por exemplo, infecção relacionada à assistência — ou por um novo agravamento do seu quadro, geralmente ou falhas de acompanhamento ambulatorial ou domiciliar.

Assim, os 4 alvos assistenciais mostram a importância de ter eficiência na gestão hospitalar. Mais do que isso, indicam como fazer isso — e os estudos comprovam. Esse é o caminho para melhorar a qualidade e reduzir os desperdícios no sistema de saúde.

Para chegar a esse patamar e colocar em prática os 4 alvos assistenciais, conheça o DRG Brasil. Entre em contato conosco e veja como construir um sistema de saúde sustentável e que agrega valor ao paciente.

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