Modelo Assistencial

Internações evitáveis: descubra as razões e veja 7 formas de gerenciá-las!

DRG Brasil
Postado em 8 de julho de 2021

Na saúde suplementar brasileira, as internações evitáveis correspondem às principais causas de desperdício assistencial. Falando em termos financeiros, o desperdício da insegurança hospitalar chega próximo de R$10,6 bilhões, de acordo com o II Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil.

Internações evitáveis representam lacunas em etapas de atendimento e tratamento. Mas elas podem ser reduzidas por meio de ações focadas em qualidade assistencial, com mudanças na gestão de recursos e melhorias na jornada do paciente.

As taxas de hospitalização são indicadores relevantes às instituições de saúde. Isso porque elas funcionam como um indicador, capaz de revelar o nível de resolubilidade ambulatorial, da emergência, da atenção primária e da Governança Clínica como um todo.

A seguir, discutiremos sobre o cenário do país em relação às internações evitáveis e daremos dicas de como evitar esse contexto negativo!

Qual é o cenário do Brasil em relação às internações evitáveis?

No Brasil, as razões do desperdício assistencial estão concentradas nos seguintes pontos:

  • Internações evitáveis pela Atenção Primária (ICSAP);
  • Internações evitáveis pela Emergência;
  • Internações evitáveis pela Ambulatorização Cirúrgica;
  • Readmissões dentro de 30 dias pela mesma causa;
  • Condições adquiridas graves;
  • Tempo de permanência hospitalar além do necessário.

Segundo um estudo publicado na Revista Latino-Americana de Enfermagem, as principais hospitalizações por causas evitáveis em crianças com até cinco anos de idade foram doenças do aparelho respiratório, doenças infecciosas e parasitárias e infecções originadas do período neonatal. Os dados foram colhidos em Maringá, Sarandi e Paiçandu, municípios do estado do Paraná, entre os anos de 1998 e 2009.

Outro levantamento, esse realizado por Alfradique e Turci, sobre internações por condições sensíveis à atenção primária em pacientes adultos verificou, em 2006, que os principais motivos se deram por complicações de gastroenterite, insuficiência cardíaca e asma.

O Índice de Valor do Sistema de Saúde do Brasil (IVSB) de 2019 mostrou que, para o tratamento hospitalar da população estudada de 501.821 pacientes foram consumidas 1.801.177,4 diárias. As internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP) foram responsáveis por 163.380,2 diárias hospitalares potencialmente preveníveis — correspondendo a 9,07% do total. Já as internações potencialmente evitáveis pela ambulatorização cirúrgica foram responsáveis por 21.420,9 diárias, correspondendo a 1,19% do consumo.

Os dados servem como um recorte de uma realidade ainda existente e nos ajudam a perceber a importância de investir em ações de melhorias na qualidade assistencial.

Na rede pública, por exemplo, o governo conta com algumas ações nesse sentido. O Programa Saúde da Família, atual Estratégia de Família da Saúde, foi desenvolvido em 1994, com o objetivo de ampliar o acesso da população à atenção primária, um meio importante para prevenir as internações por causas evitáveis.

O programa Pacto pela Saúde pode ser visto como outro exemplo nessa direção. Criado em 2006, sua intenção foi promover inovações, além de mais eficiência nos serviços de saúde a partir de reformas institucionais na União, nos Estados e nos Municípios.

Ainda assim, por numerosas razões, tais incentivos não são suficientes aos avanços dos quais o país necessita. Por isso, é fundamental que exista também um movimento por parte da saúde suplementar, além de constantes avanços da tecnologia e boas práticas de entrega de valor em saúde.

Como gerenciar as internações potencialmente evitáveis?

As seguintes ações podem interferir de forma positiva na entrega de melhores resultados para prevenir as internações desnecessárias.

médicos analisando internações por causas evitáveis

1. Ter ações mais efetivas na atenção primária e na emergência

O banco de dados da plataforma DRG Brasil aponta que mais de 35% das admissões hospitalares clínicas, tanto da saúde suplementar quanto do SUS, são internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP).

Estas internações potencialmente evitáveis levam ao sofrimento pacientes e familiares, expõem o paciente aos riscos de uma internação hospitalar e determinam elevado desperdício de recursos que poderiam ser usados para melhorar a qualidade e o acesso.

Um dos passos mais importantes para evitar as ICSAP está nas condutas de prevenção e promoção à saúde, que acontecem na atenção primária. A vacinação entra como um dos principais exemplos aqui. A partir de campanhas, é possível conscientizar a população e incentivar a imunização. É também na APS — atenção primária à saúde — que são realizadas as consultas de rotina e os exames periódicos, importantes para evitar que as doenças surjam ou evoluam para a hospitalização.

As internações desnecessárias também podem ser evitadas por um serviço de emergência (assistência pré-hospitalar, como o SAMU — Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) eficiente e resolutivo.

2. Fomentar a ambulatorização cirúrgica segura

Os atendimentos ambulatoriais, ou seja, em unidades de saúde que atendem casos de baixa e média complexidade na modalidade hospital-dia, também precisam ser de qualidade. Com os exames e os procedimentos adequados, os profissionais de saúde conseguem evitar que grande parte das cirurgias demandem internação.

De acordo com a base de dados nacional do DRG Brasil, cerca de 42% das cirurgias ambulatorizáveis ocorrem em regime de internação, o que acaba aumentando o riscos do paciente e os custos assistenciais. Novas drogas anestésicas, modernas técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, processos de cirurgia segura e os conceitos do protocolo internacional ERAS (Enhanced Recovery After Surgery — Recuperação Otimizada do Pós-operatório) permitiram a ambulatorização cirúrgica ao redor do mundo.

As cirurgias em nível ambulatorial aumentam a capacidade operacional do bloco cirúrgico e dos leitos hospitalares sem investimento estrutural, ampliando o acesso do cidadão aos hospitais.

3. Praticar a governança clínica com centralidade no paciente

A jornada do paciente, ao longo dos diversos níveis do sistema de saúde, é fragmentada e não coordenada. Essa falha contribui para o desperdício com internações potencialmente preveníveis.

Os profissionais de saúde e equipes multidisciplinares têm um papel fundamental na jornada do paciente. Todos precisam saber qual é a sua função e sua responsabilidade. Essa consciência leva à tomada de melhores decisões dentro de cada condição. Por isso, também é importante que todos tenham o conhecimento suficiente para entender a complexidade de cada caso e seu nível de criticidade.

As decisões devem ser tomadas sempre em prol do usuário do sistema de saúde, pensando em sua experiência: qual é o melhor caminho a seguir, de forma que ele tenha mais segurança, maior conforto e chances menores de ser acometido por condições adquiridas, infecciosas ou não?

4. Exercer a equidade na saúde com maior acesso à população

O conceito de equidade na saúde descreve a entrega de um serviço ou direito a determinado indivíduo, de forma proporcional à sua necessidade.

Por exemplo, nos atendimentos a dois pacientes: um paciente vítima de ataque cardíaco e outro com rinite alérgica, é claro que os dois necessitarão de atenção. Contudo, também é certo que o primeiro demandará mais dedicação, sensibilidade e urgência — além de maiores recursos hospitalares como diárias de internação, materiais, exames e medicamentos.

Existem várias ações para uma instituição se adequar à equidade. Praticar o mindset da saúde baseada em valor, no lugar do fee for service, é uma delas, visto que o foco se volta para os resultados obtidos no cuidado ao paciente, e não para a quantidade de procedimentos.

Para entregar valor, o sistema de saúde deve se basear na ciência para garantir ao usuário um acesso oportuno e equitativo aos serviços. É importante que o cuidado seja contínuo, personalizado e com transparência para escolhas conscientes.

5. Priorizar o modelo de remuneração baseado em valor

No modelo remuneratório fee for service, utilizado na saúde suplementar brasileira, as organizações prestadoras que têm altas taxas de internações desnecessárias — além de altas taxas de permanência hospitalar, eventos adversos e readmissões hospitalares evitáveis — são economicamente recompensadas. Isso porque o fee for service remunera por volume de procedimentos e materiais utilizados, e não pela qualidade do serviço prestado ao paciente.

É uma relação de soma zero, pois para que uma das partes ganhe, a outra necessariamente tem que perder. Hospitais que entregam valor, caracterizados pelo gerenciamento de internações evitáveis, baixa mortalidade e bons resultados assistenciais, são aqueles que também têm a menor receita no modelo FFS.

A remuneração baseada em valor, tanto para médicos quanto para hospitais, preconiza que o pagamento seja efetuado de acordo com os resultados assistenciais e a entrega de valor em saúde pelo profissional ou pela instituição.

6. Analisar, comparar, agir

Saber quais são as principais causas de internação da população coberta por uma operadora, ou dos pacientes admitidos por uma instituição hospitalar, ou atendidos por uma determinada especialidade médica é essencial. Com essa análise, fica mais fácil identificar as internações que poderiam ter sido evitadas pela atenção primária, nível ambulatorial ou emergência. É interessante também comparar esses resultados com a média brasileira e com os de organizações similares, para ter maior embasamento na tomada de decisões.

Assim, ações efetivas podem ser colocadas em prática para diminuir o desperdício assistencial e conduzir a jornada hospitalar com mais qualidade, pensando na segurança, no conforto e na experiência positiva do paciente.

7. Fazer uso de uma plataforma de gestão em saúde e governança clínica

Plataformas de gestão em saúde são ambientes alimentados por tecnologia e que auxiliam a aprimorar o modelo assistencial e remuneratório por meio de monitoramento, gerenciamento, análise e planejamento. Atuam na governança clínica para a entrega de mais valor em saúde.

Por meio de uma plataforma, é possível acompanhar dados e indicadores de pacientes internados, por exemplo, e predizer resultados. Isso dá a oportunidade de agir de forma preventiva e com tomada de melhores decisões para o presente e o futuro.

Um exemplo prático é a Unimed Blumenau, que utiliza a plataforma de valor em saúde DRG Brasil para reduzir as internações evitáveis pela emergência. O estudo do Analytics da operadora, com mais de 7 mil altas codificadas em 12 meses, proporcionou a criação de linhas de cuidado de acordo com o perfil epidemiológico da carteira. Uma dessas linhas é a “Urgência Assistida”, em que são analisadas as ICSAP de maior prevalência, identificando as internações de infecção do trato urinário, gastroenterocolite aguda e pneumonia simples.

O principal objetivo da plataforma Valor em Saúde Brasil é transformar a qualidade assistencial e viabilizar a sustentabilidade do sistema de saúde. Para isso, baseia-se em metodologias ágeis, além de Inteligência Artificial e Analytics.

A coleta de dados com posterior transformação em informações relevantes consegue fazer previsões para melhorar a governança clínica. A partir disso, é possível evitar riscos, diminuir as internações evitáveis e com isso controlar desperdícios assistenciais.

Em suma, quando se fala em internações evitáveis, cabe a discussão de inúmeras variáveis. Contudo, o investimento em uma gestão eficiente é o caminho para aperfeiçoar cada processo, com foco em segurança e experiência do paciente. Uma plataforma de governança clínica é a tecnologia capaz de ajudar a saúde suplementar e a pública a obterem desfechos clínicos mais favoráveis.

A plataforma de Valor em Saúde Brasil pode ajudar a sua organização de saúde por meio da otimização da gestão de todos os recursos e, com isso, diminuir as internações evitáveis. Entre em contato com a nossa equipe!


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