Gestão da Qualidade

Como construir uma Matriz de Gestão de Riscos?

DRG Brasil
Postado em 4 de dezembro de 2021 - Atualizado em 6 de dezembro de 2021

A etapa de tratamento envolve a identificação e a análise das diversas opções para tratar os riscos, além da implementação de planos de gerenciamento. É para isso que serve uma Matriz de Gestão de Riscos. Leia o artigo e veja como começar!

A gestão de riscos é uma atividade essencial para a qualidade assistencial e a segurança do paciente. Aqui no Blog Valor em saúde já falamos sobre as etapas de análise de cenários e avaliação dos riscos com base na ISO 31000. Estes são os ciclos iniciais e cruciais para um gerenciamento de riscos efetivo.

Neste artigo vamos falar sobre a etapa de tratamento de riscos, que envolve a identificação das diversas opções para tratar os riscos, a análise e a avaliação dessas opções, e a preparação e implementação de planos de tratamento. O tratamento de riscos envolve a elaboração de planos de ação para minimizar o risco e/ou sua consequência. Continue a leitura!

Afinal, o que significa tratamento de riscos?

O tratamento planejado de riscos deve ser adequado à relevância do risco, levando em consideração seus custos e benefícios, e deve ser acordado com as partes interessadas. Além disso, é fundamental ter um profissional responsável designado para a coordenação de sua implementação.

O tratamento dos riscos pode envolver uma ou mais das seguintes condutas:

  • Aceitar (ou tolerar) o risco;
  • Mitigar os riscos, isto é, tratá-los de forma a restringi-los a um nível aceitável reduzindo as chances de ocorrência (sua probabilidade);
  • Transferir o risco para terceiros;
  • Eliminar o risco, alterando o plano ou processo ou terminando a atividade que deu origem ao risco.

Em todos estes casos, as oportunidades geradas pela incerteza devem ser consideradas.

A seleção da opção deve:

  • Balancear o custo e os benefícios derivados da incerteza, em termos financeiros ou em outros termos;
  • Levar em consideração os contextos;
  • Atentar que requisitos legais e de responsabilidade social podem se sobrepor a uma simples análise financeira de custos e benefícios.

O tratamento de riscos pode, em si, introduzir novos riscos, que precisarão ser identificados, analisados, avaliados, tratados e monitorados. 

Os planos de tratamento devem ser integrados aos processos orçamentários e de gestão da organização. Existem diferentes tipos de tratamentos de riscos, que são as ações de correção, corretivas e de contingência. Entenda:

Ação de correção: é a ação imediata de correção da falha, quando possível. Exemplo: em caso de incêndio, apagar o fogo.

Ação corretiva: ações para atuar nas causas das falhas evitando a recorrência do problema. Exemplo: por que houve o incêndio? Deve-se agir nas causas para que o fato não se repita.

Ação de contingência: é a ação alternativa enquanto o problema está ocorrendo, caso o processo afetado não possa ser interrompido. Exemplo: o incêndio atingiu a unidade de internação. É necessário mobilizar os pacientes para outro local para não interromper os cuidados.

Monitoramento e análise crítica

A análise crítica contínua é essencial para assegurar que o plano de gestão de riscos se mantenha pertinente. Deve incluir os impactos dos tratamentos na avaliação de desempenho organizacional, bem como as lições aprendidas com o processo de gestão de riscos, através da análise crítica dos eventos, dos planos de tratamento e de seus resultados.

Cada etapa do processo de gestão de riscos deve ser devidamente registrada. Todas as hipóteses, métodos, fontes de dados, análises, resultados e justificativas para as decisões devem ser registrados. Lembre-se: os registros de tais processos são um aspecto importante da boa governança corporativa!

Um procedimento deve ser elaborado pela instituição, definindo as diretrizes para cumprimento das etapas necessárias à gestão de riscos. É importante compreender que há duas formas de realizar a gestão de riscos, e que elas devem estar integradas:

Por processo: é o que todo setor deve ter, por meio da Matriz de Gestão de Riscos – ver adiante).

Na estratégia: é sempre realizada no Planejamento Estratégico, para que seja possível alcançar os objetivos desejados.

matriz-de-riscos

Construindo a Matriz de Gestão de Riscos

É possível estabelecer uma matriz para a gestão dos riscos, utilizando as diretrizes da NBR ABNT ISO 31000. Esta matriz facilita o reconhecimento, o gerenciamento e a análise de efetividade das ações propostas.

Como se constrói uma matriz de gestão de riscos? Acompanhe o modelo e as definições abaixo. Cada item corresponde a uma coluna da matriz:

Processo crítico: refere-se ao conjunto de atividades interligadas executadas no setor que impactam na realização (sucesso) do objetivo do setor. É o nome do macroprocesso que o setor desenvolve. Exemplo: Assistência multidisciplinar ao paciente.

Atividade crítica: são as ações que ocorrem dentro do processo crítico. Devem ser listadas conforme descrito no Mapa de Processo, na coluna “Principais atividades”.

Identificação das possíveis falhas: é o processo de busca, reconhecimento e descrição de riscos. É a identificação das possíveis falhas que podem ocorrer na execução das tarefas relacionadas ao processo crítico e/ou atividade crítica que estiver sendo analisado. Estas falhas podem estar associadas ao descumprimento dos requisitos da Cadeia Cliente Fornecedor.

Identificação das possíveis causas: a identificação das causas possui dois elementos:

  • Classificação 6Ms: é identificar em qual(is) Ms cada falha se enquadra. Isto facilita quando se vai descrever a ação corretiva (plano de ação) baseando-se no diagrama de Ishikawa, ou “Espinha de Peixe”. Os 6Ms são: Mão de obra, Máquina, Material, Medida, Meio ambiente e Método.
  • Causas da falha: são as possíveis causas que podem levar à ocorrência de cada falha que estiver sendo analisada.

Análise e avaliação do risco: referem-se ao desenvolvimento da compreensão do risco, fornecendo informações para que se decida como os riscos devem ser tratados e quais as estratégias de tratamento mais adequadas e econômicas. Esta etapa do tratamento de riscos contém sete abordagens:

  1. Domínio de risco primário: uma forma de classificação de risco é quanto aos seus domínios, que são identificados na Matriz de Gestão de Riscos de acordo com a consequência identificada. Deve ser identificado o domínio de risco imediato (primário), ou seja, o primeiro a ser afetado se a falha ocorrer.
  2. Consequência imediata: é o efeito imediato (para o cliente/paciente, ou para a organização, ou para o meio) correspondente a cada falha identificada.
  3. Indicador ou Registro relacionado: É a chance de ocorrência da falha identificada. Essa chance de ocorrência pode ser determinada por meio do desempenho do indicador que monitora o evento, ou, na ausência do indicador, utiliza-se um registro. Para cada falha identificada, um monitoramento deve ser definido.
  4. Probabilidade: de acordo com a fonte da probabilidade (indicador ou observação), deve ser listada a chance que a falha tem de ocorrer. São 3 opções: baixa, média ou alta. Cada opção tem uma pontuação específica: se a opção for "baixa" a pontuação é 1; se "média" é 2; se "alta" é 3.
  5. Gravidade: é a intensidade do dano da consequência, se a falha ocorrer. São 3 opções: leve, moderada ou grave. Assim como na probabilidade, aqui cada opção tem uma pontuação específica: se a opção for "leve" a pontuação é 1; se "moderada" é 2; se "grave" é 3.
  6. Nível do Risco (atual): é o produto da multiplicação da pontuação da "probabilidade" x pontuação da "gravidade" no período da vigência da atual da Matriz de Riscos.
  7. Nível do Risco (anterior): é o produto da multiplicação da pontuação da "probabilidade" x pontuação da "gravidade" no período da vigência anterior da Matriz de Riscos.

Controles: são as barreiras/ações empregadas para se evitar que a falha ocorra. São identificados os processos, dispositivos ou práticas existentes que atuam para minimizar os riscos. Exemplos de controles: planilhas, funcionalidades de sistema informatizado, alertas, alarmes.

Indicador relacionado: é o que mede a ocorrência da falha. Neste item será inserido o nome do indicador que está relacionado a falha identificada;

Tratamento do risco: envolve a identificação das diversas opções para tratar os riscos, a análise e a avaliação dessas opções, a preparação e a implementação de planos de ação. O tratamento é dado observando-se a tabela de prioridades de ações, de acordo com a multiplicação da gravidade e da probabilidade.

Agora você já viu como começar a construir a Matriz de Gestão de Riscos para executar a etapa de tratamento de riscos! É importante reforçar que, para realizar um gerenciamento de riscos eficiente, focando a segurança do paciente com elevada entrega de valor em saúde, é absolutamente necessário contar com uma plataforma que transforme todo o volume de dados de saúde da instituição em informações. Informações fidedignas, que por sua vez levem a conhecimentos com capacidade de gerar mudanças através de um efetivo programa de segurança do paciente.

Ouça o podcast e entenda como funciona o Módulo Administrativo SigQuali da plataforma Valor Saúde Brasil:


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