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Estudo sobre condições adquiridas na população com Covid-19 é reconhecido em congresso de infectologia

DRG Brasil
Postado em 17 de dezembro de 2021

Avaliar as condições adquiridas graves nas populações COVID e não-COVID em CTI foi o objetivo da pesquisa, que utilizou como base o banco de dados da plataforma DRG Brasil; A autora Luciana Lara explica os resultados encontrados e faz recomendações

A pandemia do novo coronavírus teve sua magnitude comparada pelo Banco Mundial à pior recessão desde a 2ª Guerra Mundial, comprometendo décadas de progresso do desenvolvimento. Na área da saúde, o impacto foi igualmente avassalador, e a chegada desta realidade impôs mudanças nas práticas assistenciais.

Se o cenário das Condições Adquiridas (CA) antes da pandemia era preocupante, como seria a ocorrência desses eventos em Centros de Terapia Intensiva (CTI) na população acometida pela COVID-19?

Este foi justamente o objetivo do estudo da médica infectologista Luciana Lara e colaboradores: avaliar as CA graves nas populações COVID e não-COVID em CTI. “A motivação do trabalho surgiu porque, trabalhando com controle de infecções relacionadas à assistência em saúde (IRAS) e segurança do paciente há muitos anos, e surpreendidos pela pandemia da COVID-19, entendemos que poderia ser interessante avaliarmos o comportamento das condições adquiridas graves nos pacientes portadores dessa doença emergente”, explica a autora.

Ao avaliar como seria o impacto de tais ocorrências na segurança do paciente e nos custos hospitalares, o tema se mostra altamente relevante, porque pode trazer à população esclarecimentos sobre a incidência das condições adquiridas graves nos pacientes infectados.

Por esse motivo, o trabalho foi selecionado para ser exibido no Congresso Infecto2021, evento voltado para os médicos infectologistas brasileiros – profissionais cuja importância e resiliência foram ainda mais evidenciadas neste período de epidemia global.

Conceitos

Para introduzir o assunto, a especialista Luciana Lara faz questão de esclarecer conceitos importantes:

  • Condições adquiridas são condições clínicas ou complicações que não estavam presentes à admissão do paciente no hospital e que se desenvolveram em consequência de erros ou acidentes relacionados à assistência hospitalar;
  • As CA podem ser graves, ocasionando danos, lesões permanentes ou óbito ao paciente, e podem ser não graves, gerando menor impacto nas condições clínicas do doente;
  • Complicações e eventos adversos consistem em ocorrências que acontecem ao paciente ou podem afetá-lo, e que não estavam previstas no curso assistencial.

“Condições adquiridas são eventos danosos ao paciente, muitas vezes preveníveis, resultantes de falhas nos processos assistenciais e que oneram a assistência hospitalar”, explica Luciana.

No estudo, foram avaliadas 277 instituições, com 152.387 internações no total, sendo 19,5% pacientes com COVID e 80,5% pacientes sem COVID. O delineamento foi baseado em análise de banco de dados da plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil.

“O DRG Brasil possui um sistema de informação com representatividade da população brasileira, não somente pelas características de como é estruturado, mas também pela robustez do banco de dados”, justifica a infectologista. “Dessa forma, a plataforma de governança clínica permitiu que a avaliação pudesse ser realizada de maneira fidedigna e com resultados muito interessantes à população e aos serviços de saúde”.

Resultados

A pesquisa constatou que a maioria dos pacientes era do sexo masculino, sendo 57,7% COVID e 52,7% não-COVID. A média de idade COVID foi 61,7 anos, e a faixa etária mais prevalente foi de 18 e 59 anos (41%).

Além disso, a maioria dos pacientes COVID (88,7%) era portadora de doenças e distúrbios respiratórios.

A população COVID apresentou maior prevalência de CA, sendo que dentre as condições graves, as septicemias, pneumonias, infecções do trato urinário e causadas por dispositivos vasculares foram as mais prevalentes. Na população não-COVID, as CA mais prevalentes foram não infecciosas.

O estudo evidenciou maior mortalidade no grupo COVID (46,8%) versus não-COVID (18,4%), tendo sido a ocorrência de CA graves mais prevalente em pacientes COVID (22%) versus não-COVID (12,2%).

Tabela 1. Dados epidemiológicos da população avaliada.

Sobre a ineficiência operacional do leito, medida que reflete desperdício de recursos hospitalares, observou-se maiores índices na população não-COVID, o que pode ser em parte explicado pela maior mortalidade na categoria COVID.

Tabela 2. Permanência estimada e real em CTI, Ineficiência operacional e prevalência das condições adquiridas graves.

Conclusões

O estudo permitiu concluirmos que o perfil epidemiológico dos pacientes internados nos CTIs brasileiros durante a pandemia apresenta características distintas entre a população COVID e não-COVID”, esclarece Luciana Lara.  

Os autores identificaram, dentre os internados nos CTIs COVID, maior número de pacientes do sexo masculino, com média de idade maior quando comparados aos pacientes não-COVID e com maior prevalência de doenças pulmonares. A mortalidade no grupo COVID foi consideravelmente maior, bem como o uso e o tempo de ventilação mecânica. “Ou seja, adoecem mais gravemente com COVID homens idosos, com doenças e distúrbios respiratórios prévios. Estes pacientes apresentam maior frequência de uso de ventilação mecânica, por maior tempo e com taxa de mortalidade consideravelmente maior”.

Em relação às condições adquiridas graves, elas foram mais prevalentes na população COVID, tendo sido mais frequentes as CA graves infecciosas. “Ademais, observamos que durante a pandemia o tempo de internação tanto de pacientes COVID quanto não-COVID foi maior que o esperado”, constata a médica.

O trabalho reafirma que pacientes COVID apresentam piores desfechos assistenciais. As CA graves, principalmente infecciosas, continuam sendo eventos de elevada prevalência nas instituições brasileiras, o que atesta a importância da análise crítica dos determinantes e a governança clínica para melhorias nos resultados junto às equipes multidisciplinares.

Recomendações

“Devemos estar sempre atentos às características epidemiológicas e àquelas relacionadas à permanência hospitalar”, explica a infectologista.

Os dados revelam que a permanência hospitalar é um problema quando mal gerenciada, podendo ocasionar danos irreversíveis ao paciente e gerar custos excedentes desnecessários. “A plataforma de valor em saúde DRG Brasil permite fazermos esse acompanhamento com precisão, por isso promove melhorias reais na saúde no país”.

Devido à sua relevância, o trabalho foi escolhido para ser exposto no programa científico do XXII Congresso Brasileiro de Infectologia.

Trata-se de um evento de grande importância na comunidade médica brasileira, especialmente de infectologistas. De acordo com Luciana Lara, “a aprovação deste estudo para apresentação no Congresso reflete a relevância do tema COVID e da análise eficiente de dados, por meio do banco robusto de uma plataforma como o DRG Brasil”.

Para a população em geral, a médica é categórica ao afirmar que a prevenção da COVID-19 deve ser a maior recomendação do seu estudo. “Vacinação, uso adequado de máscaras e álcool são medidas que, comprovadamente, previnem a doença e podem evitar complicações e até mesmo o óbito”.


Luciana Teodoro de Rezende Lara é médica, formada pela UFMG, com Residência Médica em Infectologia pela FHEMIG (1998). Possui Mestrado em Epidemiologia e Saúde Coletiva pela UFBA (2007), Pós-graduação em Acreditação e Qualidade em Serviços de Saúde e Especialização em DRG - Gestão de Sistemas Em Saúde, ambos pela Fundação Educacional Lucas Machado - FELUMA / FCMMG.


Créditos e referências:

  • Sobre o estudo: Avaliação da ocorrência das condições adquiridas graves observadas nas populações covid e não-covid em centros de terapia intensiva com altas codificadas na plataforma DRG BRASIL®. LARA LTR, PEDROSA TMG, COUTO RC, ABREU ACC. [acessar]
  • Sobre o Congresso Infecto2021: [acessar]
  • Sobre a plataforma de valor em saúde DRG Brasil: [acessar]
  • Imagem destacada: Tecnologia foto criado por DCStudio
  • Imagem Luciana Lara: Grupo IAG Saúde/Divulgação

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