Modelo Remuneratório

Entenda como funciona o fee for service e aprenda a entregar valor

DRG Brasil
Postado em 23 de novembro de 2020 - Atualizado em 30 de junho de 2021

O fee for service é um modelo de remuneração funcional e baseado no serviço executado. Na saúde, a prática implica pagar pelos procedimentos realizados, o que pode levar a impactos significativos.

Dois dos problemas verificados são o aumento do preço das mensalidades e a perda da qualidade na assistência. Portanto, o fee for service nem sempre permite entregar valor aos pacientes e suas famílias. Ao mesmo tempo, também pode haver benefícios.

Para revisar o assunto, criamos este post para explicar o que é, como funciona, quais são as vantagens e os desafios desse modelo. Confira!

O que é o fee for service?

O fee for service — ou taxa por serviço, em tradução literal — é o modelo de remuneração em que você paga por serviço prestado. Apesar de ser aplicável em diversos setores, é mais comum na saúde.

Nesse caso, a fonte pagadora — que pode ser a operadora do plano de saúde, o SUS, o paciente particular etc. — arca com os custos do serviço de saúde, conforme a utilização feita do sistema. A conta pode ser aberta, com a descrição dos itens consumidos.

Outra possibilidade é a cobrança em forma de pacote, ou seja, um preço fechado que cobre determinado número de procedimentos ou atendimentos. Ainda existe o modelo misto.

Apesar de ser um modelo justo, existem algumas implicações, como a dificuldade de relacionamento entre operadoras e hospitais. Além disso, é impossível garantir a qualidade do atendimento, já que o foco acaba sendo a quantidade de procedimentos realizados.

Esse modelo remuneratório também gera fraudes e desperdícios de recursos. Para ter uma ideia, a perda na saúde privada chega a R$ 20 bilhões por ano.

Como funciona o fee for service?

Dentro desse sistema de remuneração, o pagamento é feito com base em tudo o que foi utilizado no atendimento. Aqui, estão incluídos materiais, medicamentos, exames, diárias hospitalares e recursos humanos, que são descritos em uma fatura detalhada.

A cobrança de cada serviço é realizada de acordo com uma tabela de valores predefinidos. Com o fechamento do atendimento, a fatura é enviada para a operadora de saúde. Ela é a responsável pela análise, auditoria e efetivação do pagamento.

Nesse cenário, cabe ao médico solicitar os exames e os procedimentos que considerar necessários. O cuidado é com o desperdício de recursos, que pode ocorrer e, assim, ser contestado pela operadora de saúde.

Por isso, há a convicção de que o foco deve ser a qualidade, em vez da quantidade de procedimentos. Essa seria uma forma de entregar valor em saúde.

3 vantagens do fee for service

Esse modelo remuneratório foi criado na década de 1930 nos Estados Unidos. Desde então, vem sendo adotado em muitos países, inclusive no Brasil.

Em alguns lugares, já foi percebida a necessidade de mudança, o que levou a uma alteração do modelo de remuneração. Em vez de utilizar o fee for service, são utilizados outros métodos, como:

  • pagamento por capitation: é fornecido um valor fixo por paciente em uma área de abrangência;
  • pagamento por bundle: há valores fixos de acordo com o nível de risco. Eles são acordados entre o prestador de serviço e a operadora. Todos os serviços e as infraestruturas necessárias para o tratamento são cobertas durante o ciclo de cuidado ou em um período definido, no caso das condições crônicas;
  • pagamento por orçamentação: fornece uma quantia fixa para o hospital funcionar por determinado período;
  • pagamento por DRG: a partir da formação do DRG com base nas características de saúde do paciente, a remuneração é realizada por episódio de tratamento, com valores diferenciados segundo a categoria de diagnóstico em que foi alocado;
  • pagamento por performance, valor e mérito: caracteriza-se pela remuneração ajustada pelo desempenho de prestadores e médicos, de acordo com o seu desempenho por meio de alguma metodologia já existente, como o DRG.

Ainda existem muitas outras formas de remuneração na saúde, além do FFS e das citadas, e inúmeras variações e nuances dentro de cada uma delas. O ideal é trabalhar com uma plataforma que disponibilize vários modelos remuneratórios, possibilitando que a organização crie um formato personalizado para o seu sistema de saúde.

A plataforma Valor em Saúde Brasil, powered by DRG, faz isso, viabilizando modelos híbridos de estímulo econômico à entrega de valor aos pacientes, incentivando resultados assistenciais de qualidade e controle dos desperdícios.

Ainda assim, há vários benefícios, especialmente quando o fee for service sofre melhorias para garantir a qualidade do atendimento. Nesse contexto, as 3 principais vantagens verificadas são:

1. Pagamento justo

Os valores cobrados arcam com todos os custos do procedimento, considerando o que foi realmente utilizado. Geralmente, é usada a lista detalhada com os recursos, em vez de um pacote geral.

2. Controle de estoque

O modelo fee for service abrange a listagem de materiais. Esse é um aspecto obrigatório. Com isso, clínicas e hospitais conseguem gerenciar melhor o estoque com base na fatura emitida. Além disso, é uma forma de saber melhor quais são as demandas e os itens com maior procura.

3. Solidez no mercado

O método de remuneração é um dos mais utilizados no Brasil e todas as instituições o aceitam. Por isso, consiste em um modo consolidado de relacionamento com parceiros, fornecedores e contratados.

3 desafios do fee for service na saúde

Ao mesmo tempo, existem desafios significativos a enfrentar nesse modelo remuneratório. É preciso ter atenção para evitar as glosas baseadas em recursos administrativos e técnicos.

Dentro desse cenário, os 3 principais desafios são:

1. Falta de fidelidade e foco na quantidade

Os profissionais de saúde nem sempre se mantêm fiéis aos hospitais e às operadoras de saúde. Em muitos casos, os valores praticados e o volume de pacientes interferem na decisão devido ao fee for service.

Por isso, é importante ter atenção à qualidade, qualquer que seja o modelo remuneratório adequado. Da mesma forma, é necessário combater os desperdícios.

Uma saída é usar uma plataforma de entrega de valor em saúde. Dessa maneira, é possível revisar o fee for service e substituí-lo ou combiná-lo com outro método de pagamento mais adequado.

2. Existência de fontes pagadoras com receio de assumir o risco

A operadora de saúde é a responsável por arcar com os custos de todos os procedimentos do fee for service. Com isso, há aplicação de muitas glosas, já que alguns procedimentos são contestados.

Isso prejudica o relacionamento entre a operadora e os hospitais, pois há um estímulo aos serviços dispensáveis. Além disso, os planos de saúde pagam mais, o que se reflete no valor pago pelo cliente no plano de saúde.

3. Promoção à saúde em segundo plano

Com o foco na quantidade, em vez da qualidade, pode ser realizado um grande número de atendimentos em detrimento do estímulo à medicina preventiva e à promoção da saúde.

É fundamental aliar a qualidade e a segurança ao atendimento de saúde para garantir os melhores resultados do fee for service. Somente dessa forma é possível entregar valor aos pacientes.

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